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    Usar a nossa criatividade e otimizar o nosso tempo nos manterão saudáveis, explica o psiquiatra, Dr. Eduardo Tedeschi

    Neste momento de mudanças de rotina, induzidas pela pandemia do coronavírus, o psiquiatra, coordenador da Unidade de Saúde Mental do Hospital Cristo Redentor, Dr. Eduardo Tedeschi fala sobre o enfrentamento de novas emoções. Confira:

     

    Falar de isolamento e comportamento num momento de quarentena me faz pensar na história da humanidade. No Brasil já tivemos epidemias bem mais maléficas do que o coronavírus, pelo menos até o momento. A gripe espanhola, por exemplo, causou milhares de mortes no Rio Grande do Sul.


    Historicamente sempre há uma reorganização cultural após situações extremas. Por exemplo, com a peste negra veio o renascimento; após o surto de tifo e as grandes guerras mundiais, veio a ideia de que o estado deveria prover a saúde. Então eu acredito que a gente sairá diferente desta situação. Não sei se para melhor, mas sem dúvida com intuito de melhorar nossos mecanismos de sobrevivência.


    Estar em quarentena para mim, é uma oportunidade de fazer o que não tínhamos tempo.  Podemos contrapor previamente a ideia formulada de “não tenho tempo”. Quer viajar leia, quer ficar em casa com a família fique, obrigatoriamente fique. Quer aprender um instrumento musical aprenda, quer aprender a pintar, aprenda. A internet nos trouxe esta possibilidade de aprender e “viajar” sem sair de casa.

    Como precisávamos sair o tempo todo de casa para trabalho e atividades, o tempo ficava curto. Pois bem, agora o tempo não está mais curto. Quem não ouviu aquele ditado, meu dia tinha que ter 48 horas?


    Imagino que, com o passar dos dias, este ímpeto de criatividade induzida vai recrudescer e emoções como medo, desesperança, raiva, insegurança irão pairar sobre nossas mentes, e a convivência diária nos fará entrar em contato com algo distante atualmente: as relações humanas.  E relações humanas significa amor, ódio, tristeza, felicidade. Quem sabe agora seja o momento de reaprendermos a nos comunicar em casa. Até lá, acredito que usarmos nossa criatividade e otimizar nosso tempo nos manterão saudáveis.

    Por exemplo, não há necessidade de ficarmos ouvindo sobre a pandemia 24 horas por dia.  Podemos aproveitar este tempo para organizar o que estava desorganizado, para fazer atividade física, para leitura, uma vídeo chamada com amigos para contar histórias, uma longa conversa com pais e avós, uma brincadeira nova com os filhos, enfim.

    Passaremos por esta pandemia e nos tornaremos diferentes. As emoções, os sentimentos aparecerão e cabe a cada um de nós lidar com eles com o mínimo de sofrimento possível. Isso é importante; aprender a lidar com as emoções.

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